Ecossocialismo como alternativa emancipatória

O dia mundial do meio ambiente é um dia de reflexão, e nada mais importante do que refletirmos sobre alternativas emancipatórias. Digo isto para destacar a importância do socialismo como elemento transformador do futuro. O sociólogo português Boaventura de Souza Santos tem razão ao afirmar que o socialismo do século XXI deve ser diferente das promessas do passado, principalmente ao afirmar a sua posição em prol da diversidade. Logo, o socialismo somente pode ser transformador, se ao mesmo tempo for ecologista, feminista, antiracista, libertário e radicalmente democrático. Em qualquer hipótese, para mudar o mundo temos que mudar nossos hábitos e atitudes.

A queda do comunismo soviético, ao contrário de destruir o socialismo como alternativa, apenas libertou este importante viés do pensamento político do autorismo monolítico do stalinismo e da ditadura de estado travestida de ditadura do proletariado. Com a queda da “cortina de ferro” o mundo viu emergir uma nova forma de pensar a alternativa socialista, fundamentalmente baseada na relação equilibrada entre a humanidade e a natureza. Também verificou a “morte do homem” declarada por Foucault, que abriu o campo para o auto-reconhecimento da mulher contra o jugo do machismo, dentre outras lutas emancipatórias.

Na verdade, o modelo soviético stalinista em nada foi emancipatório, manteve o predomínio de relações machistas, xenófobas, intolerantes, além de ser pródigo na destruição da natureza. Sua morte foi necessária! Mas como bem ensina a ecologia e a natureza, a morte não significa o fim, e sim o nascimento do novo.

No meio da pregação cega dos neoliberais, a humanidade viu nascer o ecossocialismo como verdadeira alternativa de mudança. A defesa diversidade, contra a padronização do mundo e da vida do modelo capitalista, é radicalmente defendida pelos ecologistas e pelos socialistas. Nada mais correto do que a unificação das lutas em prol de uma mudança verdadeiramente radical.

Para libertar o homem do trabalho alienado, também é necessário estabelecer uma relação de reconhecimento entre os seres humanos e a natureza. O capitalismo tentou dominar a natureza em prol do lucro e de a*****ulação, alienando-a do seu espaço concreto e transformando-a em mercadoria ou em mero insumo produtivo. O resultado é a crise ambiental que, como todo a produção capitalista, é desigual em seus efeitos. Todos os indicadores demonstram que os problemas ambientais são mais graves na periferia do capitalismo. Portanto, para libertar a humanidade das amarras do capitalismo, também é importante libertar a natureza da dominação capitalista.

Se os partidos verdes do passado defendiam o lema “nem à esquerda nem à direita: verde”, que justificou o acordo com os neoliberais na Europa, os ecossoalistas reconhecem o anacronismo desta frase e entendem ser necessário, para proteger o meio ambiente, também superar o capitalismo. Mas a luta ecossocialista não é uma luta isolada, ela se articula, ecologicamente, com o feminismo, o movimento anti-racismo, o multiculturalismo radical e a cultura popular, os movimentos de trabalhadores da cidade e do campo, a economia solidária e a democracia participativa, dentre outras lutas emancipatórias.

No dia mundial do meio ambiente, defender o ecossocialismo é defender a mudança!

**Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestrando em ciências sociais, coordenador do GT ambiente da Associação Hotempore em Pelotas-RS.

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